V Bienal de Arte Fotográfica Brasileira de Natureza, Itanhaém 2026. Logotipos da CONFOTO e do evento

Ética na fotografia de natureza guia a V Bienal da CONFOTO

A V Bienal de Arte Fotográfica Brasileira de Natureza, realização da CONFOTO e organizada pelo COFIT, coloca a ética no centro: a foto deve mostrar a verdade da cena, sem atrair, conter ou manipular o que aparece diante da lente.

A V Bienal de Arte Fotográfica Brasileira de Natureza coloca a ética no centro da disputa. Realização da CONFOTO (Confederação Brasileira de Fotografia) e organizada pelo Coletivo de Fotógrafos de Itanhaém (COFIT), no litoral paulista, a mostra reúne fotoclubes de todo o país e adota uma regra simples de enunciar e exigente de cumprir: a imagem precisa transmitir a “verdade da cena”.

Podem participar apenas membros de fotoclubes filiados e regularizados na CONFOTO. Cada autor inscreve até quatro fotografias e representa um único fotoclube. Mais do que premiar a melhor imagem, o regulamento busca premiar o talento e a paciência de quem fotografa, e não a habilidade de controlar a natureza ou a tecnologia.

A verdade da cena

O regulamento parte da definição internacional de fotografia de natureza: a imagem registra a história natural, e uma pessoa bem informada deve conseguir identificar o assunto e reconhecer que ele foi apresentado de forma honesta. Em outras palavras, o que está na foto precisa ter acontecido diante da lente, sem encenação. Qualquer imagem que mostre, direta ou indiretamente, atividade humana que ameace a vida ou o bem-estar de um ser vivo está fora.

O que é proibido: controlar o assunto

A primeira fronteira ética diz respeito aos animais. O regulamento proíbe atrair ou controlar o assunto com comida ou som para fotografá-lo (a chamada iscagem). Também veta restringir o movimento natural de um animal por resfriamento, anestésico ou qualquer outro método. Há uma exceção pontual: a alimentação suplementar em situações de dificuldade causadas pelo clima, quando a foto é incidental, não o objetivo.

Fotos feitas em zoológicos, santuários e centros de resgate são permitidas, desde que o animal esteja ileso e a instituição siga boas práticas. Ficam de fora, porém, imagens de animais domesticados, animais que voltaram a viver soltos (ferais), plantas cultivadas, híbridos criados pelo homem e espécimes empalhados.

O que é proibido: a interferência humana

Elementos feitos pelo homem só entram quando são parte necessária da história da natureza. O regulamento dá exemplos: um pássaro cantando sobre um poste de cerca, um objeto usado como material de ninho, um fenômeno climático destruindo uma construção, ou ainda uma pegada discreta ao fundo. Etiquetas, coleiras e anilhas científicas são expressamente aceitas, por fazerem parte do estudo dos animais.

O que é proibido: a manipulação digital

A terceira fronteira é a edição. A regra geral é que o processamento aproxime a imagem da cena original, sem reinventá-la. São permitidos cortes, endireitamento, correção de perspectiva, limpeza de poeira e ruído, ajustes de brilho, cor e contraste e a conversão completa para preto e branco. Também valem técnicas que combinam vários cliques do mesmo assunto, como o “focus stacking” (juntar fotos com focos diferentes para deixar a cena inteira nítida) e o “exposure blending” (combinar exposições para equilibrar luzes e sombras), além da costura de panoramas.

Já é proibido adicionar, remover ou mover qualquer parte da imagem (fora o corte e o endireitamento), aplicar vinheta, desfocar ou escurecer trechos para esconder elementos da cena, e alterar a realidade das cores, como na dessaturação parcial ou na supersaturação. A conversão para tons de cinza só vale se for total. São as normas da chamada fotografia de conservação, que valorizam o registro fiel.

Como serão o julgamento e a premiação

O julgamento ocorre em duas etapas, entre 7 e 25 de abril de 2026, conduzido por um júri internacional. Na primeira, cada jurado atribui notas de 1 a 9 às fotos, de forma autônoma. Na segunda, uma reunião virtual define por consenso as imagens premiadas. Comporão a exposição física de 5% a 25% das fotos inscritas, até o limite de 80 imagens.

Serão concedidas medalhas de ouro, prata e bronze às mais bem pontuadas e menções honrosas da 4ª à 20ª colocação. Os três fotoclubes com maior soma de pontos recebem troféus: o Troféu Lita Cerqueira (em homenagem à fotógrafa baiana, uma das mais celebradas do país) ao primeiro, o Troféu Araquém Alcântara ao segundo e o Troféu Ernesto Zwarg ao terceiro. A abertura, com a divulgação dos resultados, está marcada para 7 de novembro de 2026.

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