Colagem de três fotos: uma igreja amarela, uma trepadeira em um tronco e um homem caminhando em uma foto em preto e branco

Fotografar na chuva: a saída do Câmera e Luz que virou exercício de adaptação

A garoa que caiu sobre o Parque Vicentina Aranha no sábado virou matéria-prima. Divididos entre arquitetura, cotidiano e natureza, os fotógrafos do Câmera e Luz mostraram que a imagem está na percepção, não na luz perfeita.

A saída fotográfica “Percepções e Olhares”, do Câmera e Luz, realizada no sábado, 24 de janeiro, no Parque Vicentina Aranha, transformou a instabilidade do tempo em exercício de adaptação. Divididos entre arquitetura, natureza e cotidiano, cerca de três grupos exploraram novos ângulos sob marquises e dentro do café do parque, reforçando uma ideia simples: a fotografia mora na percepção, não apenas na luz ideal.

A garoa começou de mansinho, no meio da manhã, junto ao Pavilhão Central. O que poderia encerrar o passeio virou o ponto de partida de um problema técnico inesperado, e os participantes responderam observando o que costuma passar despercebido.

Sob as marquises

No grupo de arquitetura, com o monitor Danilo Lima, o refúgio sob as marquises históricas não serviu só para escapar da água. O espaço reduzido empurrou os fotógrafos para perspectivas novas, em um olhar mais contido e intimista sobre a profundidade das construções. Na prática, a escassez de opções acabou ampliando a criatividade.

Dentro do café

O grupo de Cotidiano, orientado por Luana Martinez, encontrou abrigo e assunto no café do parque. O associado Agnaldo Aragão classificou a mudança de planos como “sensacional”: com o grupo voltado para dentro, o foco passou às interações entre as pessoas e ao ambiente aquecido, aquele tipo de convivência que a chuva costuma esconder.

Sob as copas

Já a frente de natureza, com Ralf Corrá, manteve-se sob as copas das árvores, atrás da textura e do frescor que só a umidade dá ao verde. Foi a tradução, na imagem, de algo que o monitor costuma tratar em encontros como o Natureza em Foco: observar antes de clicar.

A chuva como difusor

Costuma-se associar a boa fotografia a condições perfeitas, como a “golden hour”, aquela hora logo após o nascer ou antes do pôr do sol, de luz quente e suave. Mas o céu encoberto tem vantagens próprias. As nuvens funcionam como um difusor natural, uma espécie de caixa de luz gigante: espalham a luz, suavizam as sombras duras, deixam as cores mais saturadas e realçam a textura das superfícies molhadas. A visão limitada imposta pelo tempo obriga o fotógrafo a abandonar o óbvio e procurar o detalhe, e foi isso que transformou um passeio recreativo em um exercício de composição sob pressão.

O que fica

Os participantes têm até a próxima terça-feira para enviar duas fotos em alta qualidade ao e-mail da organização. As imagens impressas poderão ser retiradas a partir de sexta-feira, 30 de janeiro, na Master Álbum Encadernadora, empresa parceira do clube, mediante o voucher recebido.

Voucher para impressão

A edição reuniu 23 participantes, entre hobbistas e profissionais, e a divisão em três frentes temáticas permitiu que estilos diferentes convivessem mesmo com o tempo fechado. O clube agradece aos fotógrafos que cederam imagens para registrar o encontro: Ralf Corrá, Danilo Lima, Agnaldo Aragão, José Fábio, Leonardo Piccoli, Anderson, Nelsinho Guimarães, Marcelo Westen, Paulo Brugger, Angela de Lima, Chiquito e José Marcos.

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