Nossa história

Em 22 de fevereiro de 2006, em uma pequena sala na Vila Santa Luzia, em São José dos Campos, sete pessoas se reuniram com um propósito claro: fundar uma associação que reunisse forças e representasse quem pratica a fotografia como arte e lazer. Sob a presidência de Décio Antonio de Campos e a secretaria de Luiz Ângelo Berni, nascia o Fotoclube Câmera e Luz. Vinte anos depois, vale olhar para trás. Aquela iniciativa de Décio, Luiz, Milton Gomes de Lima, José Mauro de Oliveira, Maria Luiza dos Santos, Clayton da Silva Vieira e Lílian Veiga Vinhas tornou-se uma referência da cultura visual da região.

A fundação e os ideais

O clube foi estabelecido como associação de direito privado, sem fins econômicos e sem vínculo político ou partidário. Desde o primeiro estatuto, deixou clara a vocação democrática: atender a todos os que a ela se dirigissem, sem distinção de classe social, nacionalidade, sexo, raça, cor ou crença.

Mais do que um grupo de entusiastas, o Câmera e Luz nasceu com um compromisso educativo. O Artigo 2º do estatuto previu, desde o primeiro dia, o apoio e a divulgação da arte fotográfica por meio de cursos, seminários, palestras e exposições. Esse rumo garantiu que o clube fosse, além de espaço de contemplação, um centro de formação de novos olhares.

Os primeiros salões

Percorrer o acervo do clube é acompanhar uma evolução técnica e estética. Nos primeiros anos, entre 2007 e 2008, nomes como Carlos Leite Soares, Marcio Janousek e Luiz Ângelo Berni já marcavam presença em exposições na Univap, com obras como “Ninfeia“, “Invasores” e “Ausente“, esta premiada com um 1º lugar em 2007.

A partir de 2009, o clube passou a frequentar o Salão Jauense Internacional de Arte Fotográfica, onde trabalhos de Jurandi Franca Bastos (“Boa Base”), Décio Campos (“Alegria Sitiada”) e Marcio Janousek (“Ghost Train”) começaram a pavimentar a maturidade artística do grupo.

A projeção nacional e internacional

A década de 2010 intensificou as participações em salões nacionais da CONFOTO e em eventos internacionais sob o selo da FIAP. O Câmera e Luz tornou-se presença constante em cidades como Araraquara, Londrina, Goiânia e São Caetano do Sul, e também em salões na Sérvia, no Egito, na Argentina, na Espanha e no Canadá.

Obras e autores que marcaram época

Parte dessa história se conta por imagens que viraram referência no acervo. O trabalho de Adilson Martins alcançou reconhecimento internacional em 2014, quando a obra “Green Body” conquistou a Medalha de Ouro FIAP no salão internacional de Belgrado, além de aceites no Cairo e na Bósnia e Herzegovina.

A diversidade de temas sempre foi uma força do clube. Enquanto Ricardo Takamura explorava rastros de luz em obras como “Across the Universe” e “Stairway to Heaven“, Valeria Vieira registrava a sensibilidade urbana e venceu o concurso City Rider com “Na Poça“. Paulo Brugger foi premiado com “Fofoca“, na Bienal Cor de 2015, e Eduardo Bento Guerra assinou “Abençoada Bicicleta“, em uma geração de autores que unia composição rigorosa e emoção.

Mais recentemente, o clube manteve a produção e as exposições mesmo diante dos desafios globais. Entre 2019 e 2022, novos talentos e veteranos como Beatriz Santiago Barros, José Marcos, Marcielle Monize e Fabio Gonçalves seguiram presentes em bienais de cor e de preto e branco.

Uma associação voluntária

Manter uma associação ativa por duas décadas exige mais que arte: pede uma gestão pautada pela legalidade, pela impessoalidade e pela transparência. O estatuto assegura que toda a renda seja aplicada nos objetivos sociais, sem benefício individual aos administradores. Os membros da diretoria e do conselho fiscal atuam de forma voluntária, movidos pela própria dedicação à fotografia. É também isso que sustenta o fotoclubismo como prática coletiva.

O futuro gravado na luz

Celebrar os 20 anos do Câmera e Luz é reconhecer a coragem de submeter o trabalho ao olhar alheio e a dedicação de transformar um instante em imagem. Um grupo forte não se mede só pelos grandes prêmios, mas por todos os que participam de salões, mostras coletivas e exposições como a “Volume Morto” ou a “Semana Monteiro Lobato”.

Nessas duas décadas, cada aceite em um salão nacional ou internacional foi menos uma conquista isolada e mais um capítulo de uma história coletiva. Que venham as próximas décadas, com o mesmo cuidado que reuniu sete pessoas em 2006.