Márcio Janousek vence o concurso interno “Geometria do Rosto” do Câmera e Luz

Márcio Janousek venceu o concurso interno “Geometria do Rosto” do Câmera e Luz, com menções honrosas para Marcos Morais e Paulo Brugger. Mais que o pódio, a curadoria usou o resultado para mostrar o que separa interpretar um tema de apenas cumpri-lo.

Márcio Janousek venceu o concurso interno “Geometria do Rosto” do Câmera e Luz. As menções honrosas ficaram com Marcos Morais e Paulo Brugger. A proposta era tratar o rosto humano como escultura e paisagem, fugindo do que o retrato convencional celebra, e o resultado, anunciado em reunião online de 4 de março de 2026, virou também uma aula sobre como ler um tema.

Foto: Marcio Janousek

O desafio começava com uma série de proibições: nada de olhar direto para a câmera, de filtros de suavização de pele, de sorrisos ou da beleza de catálogo. De 15 fotografias inscritas, três se destacaram na curadoria, a cargo de Adilson Martins, diretor de fotografia do Câmera e Luz. Janousek levou uma moldura 30×40 da MV9 Molduras; Marcos Morais e Paulo Brugger receberão um case porta-bateria e cartão de memória feitos em impressão 3D.

O que separou a foto vencedora

A proposta era exigente: ver a força da mandíbula como quem fotografa arquitetura, a órbita dos olhos como um abismo, a crista do nariz como relevo. O rosto não como identidade, mas como terreno à espera da luz certa. Segundo a curadoria, a imagem de Janousek chegou a esse lugar, com a abstração, a textura e o volume que o tema pedia; a luz, trabalhada no limite entre claro e sombra, transformou o rosto em composição, sem expressão a ler, apenas forma.

As fotografias de Marcos Morais e Paulo Brugger chegaram perto, avaliou a curadoria, mas precisariam de enquadramento mais fechado e maior abstração: o rosto ainda se lia como rosto, com a geometria subordinada à identidade. Um corte mais ousado teria deslocado o olhar do “quem” para o “quê”, que era o destino proposto pelo tema. A diferença, registrou Adilson Martins, não foi técnica, mas de ousadia na leitura do conceito.

O regulamento como briefing

Danilo Lima, presidente do clube, abriu a análise reforçando o espírito da atividade: não se tratava de avaliar quem fotografa melhor, e sim quem traduziu um conceito denso em imagem, com fidelidade e coragem. Adilson Martins comparou o regulamento a um briefing de cliente: uma proposta com intenção declarada, linguagem específica e restrições deliberadas, como a proibição do olhar direto e dos filtros. Regras que existem, segundo ele, não para complicar, mas para forçar o fotógrafo a pensar antes de disparar.

No trabalho profissional, observou, o briefing é a fronteira entre o fotógrafo que executa e o que interpreta. Ler o regulamento como um pedido de cliente é o exercício que os concursos internos propõem a cada edição. Eles acontecem em meses alternados, num ritmo que dá tempo de fotografar com intenção.

O tema que se evita é o que mais desenvolve

Os temas, segundo Adilson Martins, são escolhidos para serem propositalmente incomuns, e a participação vale independentemente da afinidade com o assunto, porque é na resistência ao tema que o crescimento aparece. Há uma tendência natural de o fotógrafo gravitar para o que já domina: o retratista faz retratos, o paisagista faz paisagens. Esse conforto é legítimo, mas tem um custo no desenvolvimento criativo.

O “Geometria do Rosto” trazia uma ironia: o fotógrafo de paisagem, acostumado a planos, relevos e texturas, estava, em tese, mais preparado para o tema do que o retratista experiente, porque a proposta não pedia um bom retrato, e sim ver o rosto como uma paisagem acidentada. É essa transposição de repertório, de um território para outro, que costuma impulsionar o desenvolvimento, ideia que o clube desenvolve no ensaio Os desafios fotográficos como laboratório que educa o olhar.

Para a curadoria, os 15 participantes não estavam apenas competindo, mas praticando a habilidade de ver o familiar como estranho, algo que migra para a próxima paisagem, o próximo produto, o próximo retrato. O próximo concurso interno já está a caminho, com outro tema que, por princípio, poucos escolheriam por vontade própria.

Previous Post

No Câmera e Luz, palestra liga fotografia de família a branding e gestão

Next Post

Concurso “Olhares sobre o Vicentina” abre inscrições para a 2ª edição

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *