Foto: Alexander Landau

Fotógrafo de alimentos Alexander Landau leva palestra e workshop a São José dos Campos

O Câmera e Luz recebe em julho o fotógrafo Alexander Landau, com 37 anos de carreira em gastronomia, decoração e retrato, para uma palestra aberta e um workshop sobre o uso da luz em São José dos Campos. A vinda foi confirmada em entrevista ao clube.

O Câmera e Luz vai receber em julho o fotógrafo Alexander Landau, com 37 anos de carreira em gastronomia, decoração e retrato, para uma palestra aberta e um workshop sobre o uso da luz, em São José dos Campos. A vinda foi confirmada durante uma entrevista que Landau concedeu ao clube em 5 de junho de 2026.

A conversa, de cerca de duas horas, foi conduzida pelo presidente do clube, Danilo Lima, e pelos fotógrafos associados Carla Lopes e Marcos Morais. Nela, Landau falou da própria trajetória, do estado atual da profissão e do trabalho com a luz, tema central do workshop. Segundo a organização, a entrevista também dá origem a uma série de artigos que o clube publica nas próximas semanas.

Da estabilidade do banco à fotografia

Landau contou que foi funcionário do Banco do Brasil até os 28 anos, quando pediu demissão para se dedicar à fotografia. Disse que a decisão não foi bem recebida em casa e que a mãe, falecida no fim de 2025, nunca a aceitou por completo. Antes de chegar à gastronomia, segundo seu relato, passou pelo fotojornalismo e por doze anos de fotografia de arquitetura e decoração em revistas do setor.

O release fornecido pela organização registra um currículo que inclui quase 20 livros de culinária, mais de 80 embalagens da indústria de alimentos, três conquistas no Gourmand World Cookbook Award e clientes como Sadia, Perdigão, Nestlé e Copacabana Palace.

Um balanço crítico do mercado

Na entrevista, Landau descreveu o que chamou de “crise de identidade” diante das mudanças no mercado. Afirmou que o destino das imagens migrou para as redes sociais, que os valores pagos caíram e que a exigência técnica diminuiu. “Eu não faço foto pro cliente, eu faço foto para mim”, declarou, ao criticar a lógica de entregar muitas imagens por dia em vez de poucas, bem resolvidas. O fotógrafo disse ainda que não trabalha com vídeo e que tem se dedicado mais ao retrato, sem abandonar a gastronomia, porque, segundo ele, parte do que o mercado encomenda hoje já não o satisfaz. As afirmações refletem a avaliação pessoal do entrevistado.

O guarda-chuva do fotógrafo de alimentos

Um dos pontos que Landau desenvolveu foi a ideia de que “fotógrafo de alimentos” reúne profissões distintas sob um mesmo nome. Para ele, sob esse guarda-chuva convivem o documentarista ligado ao agro e à indústria, o de arquitetura e decoração, o de moda e retrato voltado ao chef, e o de produto, que ilumina o prato e o ingrediente. O fotógrafo associou esse raciocínio ao modo como organiza seus cursos, hoje voltados ao manejo da luz, eixo também do trabalho do clube com iluminação e fotografia gastronômica.

Uma série de artigos

A entrevista abre uma série de artigos do Câmera e Luz a partir dos temas levantados por Landau, entre eles a defesa da foto autoral, a transição de carreira, o conceito do guarda-chuva do fotógrafo de alimentos, a disciplina herdada do tempo do filme e o fim das grandes revistas de gastronomia. Os textos saem ao longo das próximas semanas.

Previous Post

O pincel invisível: a luz como último gesto da curadoria

Next Post

Como construir seu primeiro fotolivro

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *